sexta-feira, 10 de abril de 2009

DEVANEIOS

DEVANEIOS


Da minha janela que já me disseram não parecer que é minha, eu olho para baixo e vejo milhões de luzes se refletindo, assim como um incomensurável céu emborcado sobre uma pequena lagoa; e é de se ver o que me passa n’alma¬!---Encostado num dos cantos, ainda e felizmente permanece inteiro e sufocado um grito que se livre iria anular todos os outros sons, numa flagrante violação de todas as minhas intimidades.
Mas como ele fica mudo, eu também fico quieto e na calada da noite se aquietam todos os Landg’s .
E talvez porque os anseios todos, vêem travestidos de um amor qualquer já nem se questiona a razão de um anseio?
Porém às vezes se agitam as almas já fora dos corpos, porque na calada da noite as viagens começam por muitos caminhos e já nem se busca a razão de se ficar triste!
Por que as nulidades mais díspares se acasalam na calada da noite é que amanhecem menos negros os neguinhos da minha janela?
Pois mesmo quando se ama e se crê amado, já não se busca nem se espera nada; porque todos dormem com os traumas das tramas urdidas na calada da noite!

São Paulo, Junho de 1984

Landg

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