sexta-feira, 10 de abril de 2009

QUANDO-2

QUANDO-2



Quando nós nos conhecermos amanhã de manhã, estaremos vindos de muitos distantes; e para nossa infelicidade, esses tantos distantes, irão nos acompanhar a partir de amanhã até quando formos dois.

Assim, por mais que queiramos fugir das nossas memórias, estaremos sempre impregnados pela individualidade das nossas referências e condicionamentos.

Mas depois de amanhã, quando já estivermos despidos do brilho das jóias, do fausto das roupas e nos descobrirmos feios e sem as já costumeiras bravatas, já não nos adiantará nada ficarmos tristes, uma vez que estaremos já irremediavelmente degustando o sabor de mais uma conquista fadada ao fracasso.

Entretanto, depois de amanhã quando nós já não formos nós, talvez que até por insensatez, pensemos com saudade desses tão pouco que vivemos juntos!

São Paulo, 15-07-1984


Landg

QUANDO

Quando você chegar amanhã, já cansada do peso das nuvens e toda suja de areia de meteoritos, quase translúcida porque já sem a cara de vislumbres felizes, de visões divinas que você tão sequiosamente buscava, haverá de me encontrar ainda dividido em muitos e ávidos landg’s a pacientemente lhe esperar com os olhos fitos num céu que já nem me transmite esperança.

São Paulo, 17-07-1984

Landg

DEVANEIOS

DEVANEIOS


Da minha janela que já me disseram não parecer que é minha, eu olho para baixo e vejo milhões de luzes se refletindo, assim como um incomensurável céu emborcado sobre uma pequena lagoa; e é de se ver o que me passa n’alma¬!---Encostado num dos cantos, ainda e felizmente permanece inteiro e sufocado um grito que se livre iria anular todos os outros sons, numa flagrante violação de todas as minhas intimidades.
Mas como ele fica mudo, eu também fico quieto e na calada da noite se aquietam todos os Landg’s .
E talvez porque os anseios todos, vêem travestidos de um amor qualquer já nem se questiona a razão de um anseio?
Porém às vezes se agitam as almas já fora dos corpos, porque na calada da noite as viagens começam por muitos caminhos e já nem se busca a razão de se ficar triste!
Por que as nulidades mais díspares se acasalam na calada da noite é que amanhecem menos negros os neguinhos da minha janela?
Pois mesmo quando se ama e se crê amado, já não se busca nem se espera nada; porque todos dormem com os traumas das tramas urdidas na calada da noite!

São Paulo, Junho de 1984

Landg

OTIMISMO

OTIMISMO


POR NÃO TER COMPROMISSO COM A TRISTEZA
NEM DESFRUTAR DAS GRANDEZAS MENTIROSAS
EU COLHO ALMAS NOS JARDINS SEM ROSAS
E SONHO UM SONHO DE FARTURA E BELEZAS!

VIVO FUGINDO DO SOFRER COM OS POBRES,
MOSTRANDO SEMPRE UM LADO DE SUCESSO.
E CAMINHANDO AO LADO DELES SEM TROPEÇO, VOU LHES
MOSTRANDO COMO É BOM SER NOBRE!

NOBRE NOS GESTOS, NA FAMÍLIA UNIDA,
NOBRE NO ESTUDO E NO TRABALHO HONESTO!
E SE NÃO CONSEGUIR DAR-LHES UM POUCO DISSO TUDO,
MELHOR SERIA DEUS TIRAR-ME A LUZ, CALAR-ME A VOZ
E ME DEIXAR SURDO!


NOVA PONTE, 21-12-97

LANDG

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

UTOPIA

Eu quero ser a pedra dos espaços, sem ter espaço p’ra cair!
E não quero ter o ar que me sustenta, pois quero testar o Deus micrado em mim!
Eu quero ser o vírus dos destinos, que mãe alguma haverá de ser,
e assim ir de vida em vida, num propagando irracional, sem fim, para me eternizar nesses profundos estreitos das entranhas mais divinas e nessa avidez de toda à vida, ver como eclodiu o parto do universo!
Eu quero ver na languidez dos mortos, todo o colosso exercitar dos vivos vermes que ao esperar metarmofoses outras, perdem as carnes do viver antigo!
Eu quero voar como andorinhas mansas, levando em mim vivas sementes defecáveis e noutras terras semear florestas por mais estéreis que elas possam ser!
Eu quero rir com o riso uníssono das vidas, e sufocar o choro eterno!
P’ra ver que as lutas terminaram todas;
Sem mais disputa entre céu e inferno!



Nova ponte, 13 de Dezembro de 2001.
landg

TEIMOSIA

Perdia o brilho das rosadas faces
Já ressequidas, enrugadas, baças;
Como seda pura, carcomida...
Já quase destruída, por milhões de traças!

Não se curvara ante os anos todos
Em que lutara destemido, ousado,
E ousando sempre, sempre foi avante,
Como se fora assim, predestinado!

Forçoso era embrenhar-se ainda,
Por sendas novas, novos atropelos,
Pois q’inda muito tinha por viver;
Já que infinitos, eram seus apelos!

Vivia sempre como um visionário,
Desafiando os ardis da vida e
Olhava rindo para os obstáculos
Que superava ainda e sempre e já sem muita lida!


Nova Ponte 26 de Janeiro de 2003.

Landg

LEVEZA QUE NOS TRANSFORMA

Leve, muito leve e sutilmente transparente como conviria ser, essa força imperceptível que nos arrasta e afasta dessa letárgica condição de amorfos e inoperantes filhos dessa divindade maior que nos exempla diuturnamente com todas essas maravilhas celestiais

Landg=19=2=2009